12 de agosto de 2010

Encontro organizado pelo Guano é tema no SBE Notícias

O II Encontro de Espeleologia do Museu de História Natural e Jardim Botânico é divulgado no boletim eletrônico da Sociedade Brasileira de Espeleologia nº 163:



Para acessar o boletim completo visite:
http://www.sbe.com.br/sbenoticias.asp

5 de agosto de 2010

II Encontro de Espeleologia organizado pelo Guano Speleo UFMG no MHNJB























INFORMAÇÕES E INSCRIÇÕES

Fernanda Macedo / Presidente do Guano Speleo UFMG.

Evento propõe debater temas ligados a ação da Mineração em áreas Cársticas, os rumos da Legislação Ambiental e a prática científica no meio espeleológico. Este encontro reunirá palestrantes de diversas áreas, mas que trarão discussões importantes para a espeleologia como um todo. O objetivo deste evento é o de permitir aos participantes o aprofundamento em temas importantes para a espeleologia brasileira.


Data do evento: 17 a 19  de setembro de 2010
Local: MHNJB Portaria I - Rua Gustavo da Silveira, 1035, Bairro:Santa Inês.
Como chegar: Metrô: Estação Santa Inês Ônibus:1804, 4801, 4802, 8001, 8002, 9105, 9205, 9207, 9550 http://www.ufmg. br/mhnjb/ comochegar. html

Preço: 50 reais (para sexta e sábado - 17 e 18 de setembro).
Saída para o Parque do Sumidouro (Lagoa Santa): 15 reais ( vagas limitadas)
Forma de pagamento: Depósito em conta bancária
Banco: 237 - Bradesco
Agência: 3492-4
Número da conta poupança: 1002555-9
Em nome de : Adriano Andrade Gomes
A confirmação da inscrição será feita após o envio do comprovante e da ficha de inscrição para o e-mail. 
 
elecianiatavares@ yahoo.com. br 

Ficha de Inscrição
Nome:
Endereço:
e-mail:
Fone:
 Instituição/Grupo Espeleológico:
ATENÇÃO: VAGAS LIMITADAS
Informações:

Eleciania  (elecianiatavares@ yahoo.com. br) com ficha de inscriçãoom: Ficha de inscrição
(31) 8432 8695)

30 de julho de 2010

Conjunto paisagístico do Cálice em Pains é tema da educação patrimonial

Sugerido por Fernanda Macedo - Guano Speleo UFMG
CIDADE - PAINS

O Cálice, formação calcária com cerca de 60 milhões de anos, patrimônio tombado em 2008
Ele parece ter sido moldado. Sua forma é um brinde à visão deste patrimônio que lembra a taça em arenito do sul do Brasil. Dada a importância dessa bela visão e capricho milenar da natureza foi consagrado um dos pontos turísticos do município.  
Tombado em 2008 pela atual administração municipal, o Conjunto Paisagístico do Cálice, área com formação rochosa datada de 60 milhões de anos é tema da Educação Patrimonial, deste ano. Iniciada em março, será trabalhada até dezembro, nas escolas municipais.  
O tema propõe estudo e atividades voltados para o patrimônio, desenvolvidos dentro de cada disciplina.  
*Elaine Martins  
Mais informações:  
Chefe da Seção de Cultura - Renata de Paulo 37.3323.1220

Fábio Luis Bondezan da Costa
Biólogo - UFMG
Mestre em Ensino de Biologia - PUC Minas

27 de julho de 2010

Parque Estadual do Sumidouro é para todos

Sugerido por: Luciano Faria - Guano Speleo UFMG.
Maiores detalhes sobre o projeto do Sumidouro e sobre a 
nossa participação, clique aqui!

Augusto Franco - Repórter - 25/07/2010 - 11:42
CRISTIANO COUTO

sumidouro

Só agora o local passa a oferecer infraestrutura para receber visitantes
Às vésperas de completar 30 anos, o Parque Estadual do Sumidouro finalmente pode ser chamado de um lugar para todos. No início deste mês, a área foi, enfim, aberta ao público. Localizada na divisa dos municípios de Pedro Leopoldo e Lagoa Santa, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, foi criada oficialmente em outubro de 1980. Mas enfrentou décadas de conflitos pela desapropriação das fazendas que ficavam dentro dos limites da reserva, estruturação das trilhas e atrações turísticas.
Dificuldades que, agora, fazem parte do passado. As trilhas foram equipadas com escadas para acesso aos pontos mais íngremes, mirantes e placas indicativas. Os guarda-corpos e todas as estruturas de apoio são de eucalipto tratado, e grande parte delas “flutua” sobre trechos de cerrado e mata nativa.

Uma casa de apoio ao turista, na entrada do parque, e um centro de apoio a pesquisadores também foram abertos. Além disso, 11 moradores do entorno receberam treinamento para acompanhar os visitantes, já que a presença dos guias é necessária em alguns trechos. O custo é de R$ 5 por pessoa, negociável no caso de excursões.

O circuito turístico do Parque do Sumidouro, no entanto, só estará completo em janeiro. Até lá, a outra grande atração local, a Gruta da Lapinha, segue fechada aos visitantes. A caverna está recebendo nova iluminação e melhorias no acesso e nas escadarias.

Ao lado da entrada da caverna, um grande museu integrado a um centro de apoio ao turista está sendo erguido. O acervo, de mais de 15 mil peças - todas descobertas e catalogadas por Peter Lund - está na Dinamarca, e será entregue ao Governo de Minas Gerais pelo príncipe do país, aficcionado pelo tema. O custo da construção é de R$ 2,5 milhões.

O Parque do Sumidouro foi criado como contrapartida ambiental à instalação do Aeroporto de Confins. Ficou famoso pelas pinturas rupestres, feitas por homens das cavernas, e datadas de 4 a 7 mil anos atrás. As imagens estão em um paredão ao lado da Lagoa do Sumidouro.

A lagoa, em terreno cárstico, recebe vários cursos d’água e tem um sumidouro - espécie de ralo - por onde o líquido escoa. Pesquisadores ainda não descobriram para onde a água vai.
Igrejinha é promessa para o turismo

Erguida na primeira metade do século XVIII, a Igreja de Nossa Senhora do Rosário fica na pequena localidade de Quinta do Sumidouro, onde está uma das entradas do Parque Estadual do Sumidouro. A igrejinha foi reformada no ano passado, e ainda aguarda pela recuperação de dez peças sacras para se tornar mais uma atração turística para o circuito de grutas da região.


A mais importante delas, a imagem principal da capela, já identificada pela Polícia Federal, está no acervo de um banqueiro de São Paulo. Apesar de já ter sido identificada pela Polícia Federal como peça de valor histórico e patrimônio cultural nacional, Estado e o atual proprietário se enfrentam na Justiça pela posse da peça. Enquanto o processo corre, a igreja segue fechada na maior parte da semana. Mas alguns pequenos detalhes já demonstram grande potencial na atração de turistas.

O autor-mor, em madeira, tem entalhes no estilo barroco rococó, semelhante às igrejas de Ouro Preto e Mariana, mas sem o ouro. Dois anjinhos entalhados em madeira e querubins na base das colunas em espiral também foram totalmente restaurados.

“Essa igreja é uma representante do início do ciclo do Ouro. Já tem elementos do barroco, mas foi erguida antes das grandes riquezas serem encontradas”, afirma o gerente do Parque Estadual do Sumidouro, Rogério Tavares. “A igreja estava caindo, e as peças foram roubadas em 1983, mas agora está como nova”, garante.

5 de julho de 2010

CIENTISTAS ACHAM BRINQUEDO SEXUAL DAS CAVERNAS - Antropospeleo

The 30,000-year-old siltstone phallus doubled as a tool to ignite fires as well as a sex toy.
Cientistas alemães fizeram uma
descoberta que pode provar que o
avanço intelectual dos homens - e
mulheres - das cavernas. Não foi nada
de tecnológico. O pessoal da
Universidade de Tubingen apenas
encontrou o que eles acreditam ser o
brinquedinho sexual mais antigo do
mundo.
Para remontar o falo de mais de 30
mil anos, eles tiveram de juntar mais de
uma dúzia de fragmentos. Um portavoz
explicou que o brinquedinho não
era usado apenas para diversão - ou
c o n s o l o .
N o s s o s a n c e s t r a i s

avançadinhos também o utilizavam
para acender o fogo. Não tinha fogão
elétrico naquela época, né?
Os cientistas dizem que, pelo
formato e por causa de um anel
colocado no fim da peça, resta poucas dúvidas sobre o real uso do artefato encontrado em uma
caverna próxima à cidade de Ulm.
A descoberta do brinquedinho sexual foi surpreendente já que exemplos de masculinidade da
época são raros de encontrar. Apesar de que em vários desenhos nas paredes das cavernas, os caras, há
mais de 30 mil anos, já retratavam as mulheres com seios mais avantajados do que o normal.
Era o mais próximo de uma revista de mulher pelada ou de um site pornô que o homem das
cavernas conseguia ter.

Mais notícias Antropospeleo:
EDIÇÃO
dowload
  CONTEÚDO
15/06/2010
576 kb
- Arqueólogos da Universidade de Évora descobrem grutas com arte rupestre;
- Gruta do tempo de Cristo em Jericó;
- Marrocos: arqueólogos encontram sepulturas com 5.000 anos;
- Cientistas acham brinquedo sexual das cavernas;
- Parque Municipal Grutas de Bacaetava comemora 10 anos;
- Mortos em mina de carvão;
- Censo espeleológico;
- Peregrinação militar à Lourdes;
- Robin Hood voltou à moda, mas só no cinema;
- Foto do Leitor: Pequena fortificação de Smajdov Grad, Kranj (Eslovênia).

Cavernas encontradas no Parque das Mangabeiras abrigam espécimes raros

Enviado por Fernanda Macedo - Guano Speleo UFMG


Flávia Ayer - Estado de Minas
Publicação: 05/07/2010 06:41 Atualização: 05/07/2010 06:51
A bióloga Luana Silva e o químico Luciano Emerich em mais uma incursão para investigar as cavernas na região da Serra do Curral - (CRISTINA HORTA/EM/D.A PRESS)
A bióloga Luana Silva e o químico Luciano Emerich em mais uma incursão para investigar as cavernas na região da Serra do Curral
Engarrafamentos quilométricos, arranha-céus a perder de vista, o cinza do asfalto e o barulho ensurdecedor da metrópole escondem uma Belo Horizonte da era das cavernas. Esse pedaço pouquíssimo conhecido da cidade, que nos remete à formação do universo, está num dos pontos mais visitados da capital mineira, o Parque das Mangabeiras, no bairro de mesmo nome, na Região Sul da capital, mas fora do alcance dos visitantes. Um grupo de pesquisadores vasculhou, por dois anos, a maior área verde de BH atrás de lugares que, para um observador comum, poderiam ser simples buracos e encontrou cinco cavernas, uma delas no Parque Serra do Curral, vizinho ao Mangabeiras.

A descoberta mais recente, este ano, veio acompanhada de um intrigante vestígio: um osso que se assemelha à falange de um dedo humano.
A finalidade do estudo era investigar que tipo de vida habita ali, mas revelou muito mais. Além de achar os chamados troglóbios, espécies que vivem unicamente em cavernas, a equipe, composta por quatro biólogos e um químico, chegou a grutas raras, que não são feitas de rocha, mas de canga, formação geológica rica em ferro. Esse tipo de caverna é encontrado apenas na Serra dos Carajás, no Pará, e no Quadrilátero Ferrífero, na Região Central de Minas. “Ainda não se sabe como acontece o processo de formação das cavernas em canga”, afirma a bióloga Kátia Maciel Lima, justificando a importância de estudar e preservar esses lugares.

O conhecimento dos funcionários do parque sobre a área deu o traçado para o grupo: às vezes, a referência era apenas a existência de um “buracão”. Em vez de buraco, os pesquisadores se viram diante de belas cavernas, que uma das integrantes da equipe, a bióloga Luana da Silva, define como “quaisquer cavidades naturais que ocorrem em rocha ou canga e comportam a passagem humana”. A estimativa é que, numa expedição mais aprofundada, o número de cavernas da área verde, que tem 2,8 milhões de metros quadrados, suba de cinco para 50. Se comprovada a marca, o parque se transformaria em um dos maiores redutos de grutas em Minas. Em Belo Horizonte, essas cavidades moldadas pela natureza estão restritas ao Parque das Mangabeiras e à Mata do Cercadinho, no Bairro Buritis, na Região Oeste.

A maior caverna encontrada pelos pesquisadores, com 18,5 metros de comprimento, já havia sido registrada na década de 1980 na Sociedade Brasileira de Espeleologia. Próximas a ela, duas outras cavernas, de nove e sete metros de comprimento, foram identificadas, além de uma quarta caverna, no Parque Serra do Curral, com 16 metros. A recém-descoberta Gruta do Mirante, com nove metros de comprimento, no Mangabeiras, é a única formada pela rocha dolomito, da mesma família das rochas calcárias, tipos mais comuns no Brasil e que têm como representantes as grutas da Lapinha, em Lagoa Santa, e Rei do Mato, em Sete Lagoas.

Mas, embora seja de tipo mais comum, a Gruta do Mirante não se torna menos interessante. “Ela tem duas claraboias no teto, formando um jogo de luz muito interessante” , afirma o químico e apaixonado por espeleologia Luciano Emerich Faria. Na gruta foi encontrado um osso que se tornou grande incógnita para o grupo, pela semelhança com um osso humano. O material foi coletado e encaminhado para pesquisa. “Ele se assemelha muito à falange humana. Como a caverna tem abertura com o meio externo, fósseis podem ser trazidos até aqui”, afirma Faria, que, apesar de não descartar a possibilidade de homens pré-históricos terem habitado as proximidades, pondera que a conclusão depende de estudos mais aprofundados.

Fonte de pesquisa

Alimento para o imaginário popular, as cavernas são também combustível para a ciência e, só no Parque das Mangabeiras, oferecem material de sobra para pesquisa. Além dos ossos, materiais e seres vivos interessantes foram encontrados, como um pequeno anuro, confundido com a rã. Na estação seca, ele busca abrigo na escuridão e umidade das grutas. As aranhas têm cadeira cativa nesses recantos formados há milhões de anos, entre elas a aranha marrom, muito venenosa. Capaz de sobreviver sem luz, o fungo lignocelulíticos, especialista em decompor madeira, é o prato predileto de besouros e grilos.

Trata-se de um universo milimétrico, que muitas vezes passa despercebido aos olhos e pés de visitantes desavisados. “Isso dá noção da fragilidade das grutas”, alerta Faria. Mas, ao mesmo tempo, um mundo de conhecimento. “Podemos trazer diversas ciências para dentro das cavernas. A geologia vai olhar para as rochas, a arqueologia para os vestígios de ocupação, como as pinturas rupestres. A biologia procura as espécies que vivem nas cavernas”, explica Faria. Diante de tanto a ser descoberto, o alerta dos pesquisadores é para que essas cavernas, fechadas à visitação, continuem bem longe dos passeios turísticos. “Temos que conhecer e preservar. O acesso ao público traria um impacto grande”, afirma Kátia.

Carverna em ameaça


No país, há 7,3 mil cavernas, sendo que mais de um terço delas está no território mineiro. Mas, apesar da comprovada importância das cavernas para a ciência e a história, a legislação brasileira põe em risco a preservação de grande parte dessas formações. A lei classifica as cavernas naturais por quatro critérios de relevância: máximo, alto, médio e baixo. Apenas as de relevância máxima têm proteção garantida, sendo que as demais podem ser destruídas, com autorização do órgão ambiental. “As cavernas sofrem grande pressão das mineradoras, que não têm interesse em preservá-las”, ressalta a geógrafa Manuela Pereira, que acaba de se integrar ao grupo de pesquisadores sobre o assunto no Parque das Mangabeiras, em BH.

Curso

Para interessados em estudar espeleologia, o Centro Universitário UNA vai oferecer o curso de férias Introdução ao estudo de cavernas. As aulas ocorrem na última semana de julho, de terça-feira a domingo. São quatro dias de lições teóricas e, no fim de semana, a turma vai a campo explorar o universo das grutas e cavernas, no Parque Estadual do Sumidouro, em Lagoa Santa, na Região Metropolitana de BH, e no Parque das Mangabeiras, na capital. A matrícula é de R$ 30 e o curso tem valor de R$ 210. Mais informações e inscrições pelo site www.una.br.

22 de junho de 2010

Antepassado da Lucy é descoberto

Enviado pelo membro do Guano Speleo UFMG, Alexandre Liparini.

22/6/2010
Agência FAPESP – Um grupo internacional de cientistas concluiu que um esqueleto parcial encontrado recentemente na Etiópia é de um Australopithecus afarensis. Trata-se da mesma espécie da famosa Lucy, descoberta pelo norte-americano Donald Johanson em 1974.

A diferença é que o novo esqueleto viveu há 3,6 milhões de anos, ou cerca de 400 mil anos antes da Lucy, o que implica que características avançadas nos hominídeos, como a postura ereta ao andar, ocorreram antes do que se estimava.

Os resultados da análise preliminar dos ossos encontrados na região de Afar, na Etiópia, serão publicados esta semana no site e em breve na edição impressa da revista Proceedings of the National Academy of Sciences.

Escavações na área de Woranso-Mille vem sendo conduzidas desde 2005, após a descoberta do fragmento de um osso do braço. Desde então os antropólogos recuperaram alguns dos ossos mais completos já encontrados de hominídeos.

O exemplar do antepassado da Lucy foi denominado Kadanuumuu, que significa “homem grande” em dialeto da região. Os ossos pertenceram a um hominídeo do sexo masculino com cerca de 1,6 metro – Lucy tinha apenas 1,07 metro.

“Esse indivíduo era totalmente bípede e capaz de caminhar como os humanos modernos. Como resultado da descoberta, podemos dizer com confiança que a Lucy e seus parentes eram quase tão eficientes como nós ao andar sobre as duas pernas e que o alongamento de nossas pernas ocorreu antes, em nossa história evolutiva, do que achávamos”, disse Yohannes Haile-Selassie, do Museu de História Natural de Cleveland, nos Estados Unidos.

O artigo An early Australopithecus afarensis postcranium from Woranso-Mille, Ethiopia (doi/10.1073/pnas.1004527107), de Yohannes Haile-Selassie e outros, poderá ser lido em breve por assinantes da Pnas em: www.pnas.org/cgi/doi/10.1073/pnas.1004527107.
O site referido, acima, possui um artigo suporte on line, em inglês e pdf,clicando aqui!
Antepassado da Lucy é descoberto
Denominado Kadanuumuu, esqueleto encontrado na Etiópia é da mesma espécie 
mas 400 mil anos mais velho que o célebre australopiteco 
descoberto em 1974 (divulgação)

10 de junho de 2010

Sapatos de 5,5 mil anos

Enviado por: Alexandre Liparini


a. Leather shoe from Areni-1, Armenia, b. Map showing location of Areni-1, c. Trench highlighting Pit 3, where the shoe was found.


10/6/2010

Agência FAPESP – O par de sapatos de couro mais antigo de que se tem notícia está descrito em artigo publicado nesta quarta-feira (9/6) na revista científica de acesso livre PLoS ONE.
Em notável estado de preservação, os calçados têm cerca de 5,5 mil anos e foram encontrados em uma caverna na Armênia. Feitos a partir de um corte único de couro, os sapatos foram feitos no tamanho exato para envolver os pés do dono e empregam cadarços.
Com 24,5 centímetros de comprimento (equivalente ao tamanho 36 no Brasil), as peças podem ter sido usadas por mulheres ou mesmo homens, uma vez que se encaixam nos tamanhos dos representantes do período Calcolítico, segundo o grupo internacional de arqueólogos responsável pela análise.
Os cientistas encontraram resíduos de grama no interior dos calçados, que poderiam ter servido para que as peças não perdessem seu formato ou para manter os pés aquecidos.
A caverna onde foram encontrados está situada na província de Vayotz Dzor, próxima à fronteira com o Irã e com a Turquia. As condições da caverna – seca, fria e com ambiente estável – permitiram a conservação de diversos registros de interesse arqueológico.
Além disso, o chão da caverna foi coberto por uma camada espessa de fezes de ovelha, que “selaram” as peças, ampliando ainda mais suas condições de preservação.
“Pensamos inicialmente que os sapatos e outros objetos ali encontrados tivessem entre 600 e 700 anos, por conta de suas excelentes condições. Somente quando o material foi datado por radiocarbono e espectrometria em dois laboratórios – em Oxford (Reino Unido) e na Califórnia (Estados Unidos) – é que soubemos que eles eram mais antigos até do que o Ötzi, o Homem de Gelo”, disse Ron Pinhasi, da Universidade de Cork, primeiro autor do artigo.
Ötzi é uma múmia masculina bem conservada, com cerca de 5,3 mil anos, encontrada em 1991 em uma geleira dos Alpes de Ötztal perto do monte Similaun, na fronteira da Áustria com a Itália.
Os sapatos foram encontrados em 2008 por Diana Zardaryan, do Instituto de Arqueologia e Etnologia da Armênia, quando fazia seu pós-doutorado. “Fiquei impressionada por ver como até mesmo os laços estavam tão bem preservados”, disse Diana, outra autora do artigo.
Outro detalhe interessante, segundo os cientistas, é que os calçados de couro se assemelham bastante aos modelos que eram usados comumente até a década de 1950 nas ilhas Aran, no oeste da Irlanda.
“Há enormes semelhanças entre a técnica de manufatura dos sapatos encontrados na caverna na Armênia com outros usados por toda a Europa posteriormente, o que indica que esse tipo de calçado foi usado por milhares de anos em regiões de climas e ambientes bem distintos”, disse Pinhasi.
O artigo First Direct Evidence of Chalcolithic Footwear from the Near Eastern Highlands, de Ron Pinhasi e outros, publicado na PLoS ONE (5(6): e10984. doi:10.1371/journal.pone.0010984), pode ser lido em - http://dx.plos.org/10.1371/journal.pone.0010984.

clique nas tabelas para ampliar:

Table 1. Radiocarbon determinations from Areni-1.Table 2. Calibrated age ranges (BC) according to calibration using INTCAL04 and the OxCal software.
Figure 2. Calibrated age ranges (BC) for the mean radiocarbon age of the three leather determinations (R_Combine) and the determination for the grass sample.
These results are compared with the mean value for the determinations obtained from the Iceman.